Muitas são nossas
angústias, nenhuma delas, porém, se compara com a angústia da certeza da morte.
Não à toa o filósofo alemão Martin Heidegger já afirmou que o homem é o ser para
a morte. Sabemos que, mais cedo ou mais tarde, todos nós morreremos. Diante dessa
realidade somos impotentes. Apenas carregamos dentro de nós o sonho da
imortalidade. Parece que no fundo não nos conformamos com o fim de nossa
existência neste mundo. Há uma verdadeira “rebelião existencial”. Por isso mesmo
outro filósofo, dessa vez o brasileiro Lima Vaz, vai preferir definir o ser
humano como “o ser para a eternidade”. Mas vou pedir licença aos dois filósofos
e viajar nas palavras do teólogo-poeta Rubem Alves. Devíamos temer mais “o
morrer” do que a morte. Importa, na verdade, morrer serenamente, sem dores,
humilhações, isolamentos em leitos frios de UTIs, por exemplo. Por isso o poeta
vai dizer que não tem mais medo da morte, mas DO morrer. E ele continua, como
somente os poetas sabem fazer: “Eram seis da manhã. Minha filha me acordou. Ela
tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando
você morrer você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela
entendeu e veio em meu socorro: ‘Não chore que eu vou te abraçar...’. Ela,
menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade porque lá a gente fica
longe dessa terra tão boa...”. Talvez seja mais humano nos preparar para o morrer do que ficar fugindo da morte. E lembremos que desde a perspectiva cristã, a morte já foi vencida. Ela não tem a última palavra sobre o ser humano. Falando com Marta, irmão de Lázaro, Jesus afirmou: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre" (Jo 11, 25-26). E Jesus pergunta ainda: "Você acredita nisso?" A resposta de Marta foi afirmativa. E a sua?
Loas a Pedro Salgueiro
Há 2 semanas




