Mostrando postagens com marcador Mudança de Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mudança de Vida. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de março de 2014

Pau que nasce torto morre torto?





Esse é um ditado popular muito conhecido. Geralmente ele vem empregado quando queremos dizer que uma determinada pessoa não muda suas atitudes. Como se a pessoa estivesse "programada" ou "condenada" a agir sempre do mesmo jeito. Muitas vezes lembramos algumas ações praticadas por ela durante a juventude, às vezes até mais cedo, e que ainda se repetem na vida adulta. E sem pensar muito somos tentados a repetir: “É assim mesmo: pau que nasce torto, morre torto”. A mensagem central do tempo da quaresma, que iniciamos amanhã, porém, parece nos colocar em outra direção. Senão vejamos. O apelo forte durante esse período de 40 dias visa exatamente exortar as pessoas para uma mudança de vida, para uma conversão. A Igreja proclama a sua fé na possibilidade de o ser humano abandonar um estilo de vida que o escraviza, para um que o liberta. Ensinando assim, a Igreja se coloca no rastro da tradição bíblica que insistentemente relembra o chamado de Deus ao seu povo para que esse se converta; e a confiança do pecador no perdão renovador de Deus. O salmo 50 (51), que conhecemos como “miserere” se revela como uma boa síntese dessa fé bíblica. Temos um pecador que confessa sua culpa: “Tem piedade de mim, ó Deus, por teu amor! Por tua grande compaixão apaga a minha culpa!”(v. 3); uma prece pedindo a purificação interior: “Purifica-me com o hissopo, e eu ficarei puro. Lava-me, e eu ficarei mais puro do que a neve (v. 9); Uma oração de quem sabe que esta purificação é dom, é graça, é obra de Deus: “Ó Deus cria em mim um coração puro, e renova no meu peito um espírito firme” (v. 12); e um compromisso de buscar uma nova vida: “Vou ensinar teus caminhos aos culpados, e os pecadores voltarão para ti. Livra-me do sangue, ó Deus, ó Deus meu salvador! E a minha língua cantará a tua justiça. Senhor abre os meus lábios, e minha boca anunciará o teu louvor. Pois tu não queres sacrifício, e nenhum holocausto te agrada. Meu sacrifício é um espírito contrito. Um coração contrito e esmagado tu não o desprezas” (v. 15-19). No mais, Jesus inicia seu ministério justamente pelo convite à conversão: “O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Nova”. Lembremos, no entanto, que a conversão é um processo que perdura toda a nossa vida. Mesmo que em um momento sejamos capazes de reconhecer a grandeza de Jesus, e afirmar acertadamente que só ele tem palavras de vida eterna, como fez Pedro (Mt 8,29; Jo 6,68), podemos a qualquer momento negá-lo e dizer que não o conhecemos, da mesma forma que fez o referido apóstolo (Lc 22,57).

AddThis